segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mas com vocês ando melhor!

"Companheir@s me ajudem, que eu não posso andar só,
 eu sozinh@ ando bem, 
mas com vocês ando melhor"

Para que a primavera que insiste em apontar dias frios e cinzas, não deixe de florescer a utopia de nossa caminhada. Caminhada que fazemos junt@s, com o brilho nos olhos dessa gente que vislumbra os mesmos sonhos. E que a canção que motiva os passos, seja ouvida de longe, e nunca, nunca deixemos de cantar.

PORQUE CANTAMOS.

Se cada hora vem com sua morte
Se o tempo é um covil de ladrões
Os ares já não são bons ares
E a vida é nada mais que um alvo móvel
Você perguntará por que cantamos.

Se nossos bravos ficam sem abraço
A pátria está morrendo de tristeza
E o coração do homem se fez cacos
Antes mesmo de explodir a vergonha
Você perguntará por que cantamos.

Se estamos longe como um horizonte
Se lá ficaram árvores e céu
Se cada noite é sempre alguma ausência
E cada despertar um desencontro
Você perguntará por que cantamos

Cantamos porque o rio está soando
E quando soa o rio / soa o rio

Cantamos porque o cruel não tem nome
Embora tenha nome seu destino

Cantamos pela infância e porque tudo
E porque algum futuro e porque tudo
E porque algum futuro e porque o povo

Cantamos porque os sobreviventes
E nossos mortos querem que cantemos

Cantamos porque o grito só não basta
E já não basta o pranto nem a raiva

Cantamos porque cremos nessa gente
E porque venceremos a derrota

Cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira à primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta

Cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a cada canção se torne cinzas.

(Mario Benedetti)

Elaine e Adriana

domingo, 20 de janeiro de 2013

Milton Santos – Resistência e Luta!




Milton Santos – Resistência e Luta!

“Na Terça-Feira, dia 15 de janeiro de 2013, foi entregue ao assentamento Milton Santos, a notificação de reintegração de Posse do local, em Americana/SP. Na mesma manhã, várias famílias e apoiadores ocuparam a sede do INCRA em SP contra o despejo das famílias que residem no assentamento.
Segundo a notificação, as famílias do Assentamento Milton Santos têm até 15 dias para deixarem suas casas e, contados os dias acima citados, está liberada a ação de reintegração de posse no local. Assim, também correm risco de desocupação e repressão os que estão na sede do INCRA em São Paulo.

INCRA, 18 de janeiro de 2013 (...) - Recordamos Pinheirinho, Moinho, e, vemos-nos mais uma vez diante da luta pela terra, diante da resistência pela vida.

São crianças, jovens, adultos e idosos, todas as gerações estão ali presente, resistindo todos os dias à imposição do capital que insiste em tirar-lhes seus direitos à vida. O dia a dia não é fácil, ainda que persistam, estão longe de suas casas, sem poder trabalhar a terra que lhes garantem o sustento. Estão longe de suas famílias, “- Longe das minhas duas filhas” – contou-nos o jovem. Longes do que com muito suor, estão construindo ao longo de anos. E apesar disso, recebem-nos de braços abertos, partilham em meio à dor, o alimento pelo qual tanto trabalham, e nos convidam a com eles celebrar a vida.

“Quando morar é um privilégio, ocupar é um direito” e nesta ocupação, vemos algo que alimenta a luta destas pessoas, nos deparamos com o sentimento de união, família, amor, comunidade: é a chama da resistência;

Deparamo-nos com pessoas que querem tão somente reclamar algo que lhes é de direito: uma terra para plantar e colher seus frutos;
Deparamo-nos com pessoas que precisam fazer uma denuncia: a falta de atenção que se tem dado para a reforma agrária, para o direito por moradia, para a vida destas pessoas.

É um grito de atenção, que nos mostra que “o pulso ainda pulsa”.

Em meio a resistência, estamos pois, todos diante daqueles (Usina Ester, família Abdalla) que estão querendo despejar as 68 famílias que já tem a posse da terra e produzem comida orgânica para 12 mil pessoas.  Daqueles, que passam, e matam a roça suada,  a terra esperada.”
Em meio à miséria contraposta pelo trabalho, ainda há gente dizimando o direito a vida.

Em nota de apoio ao Assentamento, a Pastoral da Juventude de Campinhas discursa por nós: “Na Teologia da Libertação, e seu compromisso com a opção preferencial pelos/as pobres, o acesso á terra é bandeira incontestável.
Acreditamos que o latifúndio, que constrói sua riqueza sobre a pobreza, em suas práticas produtivas da monocultura contribui para um mundo menos sustentável e perpetua a injustiça.”

Fiquemos atentos, vamos nos mobilizar para que a Presidente Dilma Rousseff assine o decreto de desapropriação por interesse social da área do assentamento Milton Santos.

Milton Santos pede resistência e luta, a Pachamama chora e clama para que estejamos de olhos abertos, de punhos erguidos, a unir forças com e pelo povo. Não passemos pela vida, lutemos por ela. 


"E se preciso for, empenho meu coração, como quem faz amor, enfrento a exploração; Sou triste, mas tenho fé, sou louco, mas muito forte, temente da natureza, mas cúmplice até da morte; Em busca da nossa terra, nos solos do meu país, a minha viola berra, vitória sobre os fuzis; Meu pé descalço chuta outros pés imperiais, nos hinos da nossa luta, habitam versos fatais; E quem duvidar se atreva, que entre nesta batalha, conosco a natureza, e terra para quem nela trabalha; Assim é que me atiro, neste mundo conturbado, sou pobre, porém posseiro, homem determinado; Disposto, pela justiça, a morrer pelo cerrado, pedaço do meu Araguaia, não mais deixo ser grilado; A terra só se contenta em braços que dão amor, aonde ela se integra às metas do Criador.” (Campesino – Júnior Longo poeta do MST)".



Elaine, Aline e Adriana
+ 7x7.

Quem sou eu

Minha foto
O Projeto "Eu Sou + 7 x7" é um curso de formação de lideranças jovens, historicamente voltado para dar suporte ao trabalho da Pastoral da Juventude. Este curso é oferecido pelo IPJ às coordenadoras/es e animadores/as do trabalho pastoral e social. O número é 50 (cinquenta jovens lideranças) e o tempo é 7 (sete encontros bimestrais) num ciclo de um ano que abordam temas ligados à Formação Integral. Este projeto teve início na PJ da diocese de São Miguel Paulista no ano de 1997 onde aconteceram suas três primeiras edições (Jubileu, Pentecostes e Kairós). Em 2007 o IPJ retomou tal proposta de formação, reformulou a estrutura do projeto, ampliou sua região de abrangência e firmou parceria com a DKA da Áustria. O IPJ já realizou duas edições do projeto (Ruah e Êxodos)e, atualmente, desenvolve mais uma com o Grupo Pachamama. Esta sexta edição do Projeto "Eu Sou+7x7" não envolve apenas jovens da Pastoral da Juventude, mas também de movimento cultural, ecológico e de diferentes denominações religiosas.